
DIÁRIO DOS
NOSSOS DIAS
LIVRO DE
GUTO LEITE
“Neste diário, como o ar das cidades, as sensações contaminam. Disso o poeta faz um inventário de sensibilidade, formado pela percepção do que lhe toca, da pessoa amada ao vanity fair do mercado editorial. Está tudo passando pelos olhos dele nesse diário que faz ver como a literatura engana, estraçalha e esfarela os dias. Para proteger a paixão, casa da poesia, é preciso buscar refúgio 'nas costas dos relógio'.
O eu-lírico apresentado se prende àquilo que não é obrigação nem tarefa programada. É dessa premissa que vem o encantamento pela coleção de gestos que o autor performa na esperança de exorcizar qualquer ilusão de performance.
[...]
Talvez os poetas contemporâneos só sejam amados por outros poetas contemporâneos igualmente pouco amados, 'mas não tá certo', como diz o verso que se repete neste livro. Poesia, afinal, é para quem vive prenhe da esperança de se deparar com livros como este. Não dá trabalho gostar dos versos de Guto Leite”
(Trechos do Prefácio de Fernanda Bastos).
“Tantra significa tecer. Um diário se escreve no papel, tecido pelas fibras que o formam. O teu diário desses nossos dias, o diário de um trabalhador — da música, da universidade, da educação e das palavras — me remeteu às tecelagens, ao operariado, à consciência de classe e privilégios. Ele me devolveu também ao corpo, os dedos reumáticos que a máquina de costura não pega. O corpo morre. Tantra vem do corpo e pelas práticas do corpo integra tudo o mais”
(Trecho do texto da Orelha, de Hugo Lorenzetti Neto).


GUTO LEITE
Guto Leite nasceu em Belo Horizonte em 1982. Graduado em Linguística, especialista, mestre e doutor em Literatura Brasileira. É professor dessa área na UFRGS desde 2008. É também compositor popular e cantor, tendo lançado alguns discos independentes. Publicou nove livros. Vencedor de dois prêmios açorianos, um na literatura, outro na música.



